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Classificação na logística de material biológico

Classificação na logística de material biológico

A classificação de risco na logística de material biológico segue o conjunto de regras básicas internacionais da OMS, uniformizando a regulação do transporte de mercadorias perigosas. Ela é aplicada a qualquer modo de transporte, seja ele aéreo, terrestre ou aquaviário. A avaliação do risco biológico é baseada no risco de transmissão de agentes infecciosos durante o processo de transporte. No transporte de material biológico, as substancias Tóxicas e Infecciosas (Classe 6) são divididas em 2 categorias:

Categoria A

A Categoria A classifica materiais biológicos que contem substancia infecciosa que, ao haver exposição a ela, possa ocorrer uma infecção que resulte em incapacidade permanente ou perigo de vida para seres humanos ou animais. O vírus Ebola e o vírus da Varíola são exemplos que se encaixam nessa categoria, uma vez que pode causar sérios danos à saúde ao entrarem em contato físico quando fora das embalagens adequadas.

Esses materiais são classificados em UN2814 para as que afetam seres humanos e UN2900 para aquelas que afetam exclusivamente animais.

A embalagem externa deve apresentar a Etiqueta de Substancia Infecciosa da Categoria A, marcações e informações conforme padrões estabelecidos pelas Normas e Leis, dentre eles: destinatário, remetente, pessoa responsável, marca de embalagem homologada, setas de orientação, código da ONU, etc. Também há exigências especificas para cada meio de transporte, que são detalhadas na Instrução de Embalagem 620 – Packing Instruction 620 (PI 620). Esta instrução é aplicável à UN2814 e UN2900, que necessitam de um sistema com recipiente primário, embalagem secundaria e terciária externa rígida.

Para o transporte de material biológico da categoria A, será necessário manter a documentação de acordo com as normas da ANTT para transporte terrestre e da Anac para aéreo. No transporte terrestre, é necessária identificação com endereço completo, informações do veículo ou modo de transporte a ser utilizado e advertências apropriadas, como temperatura. Já no aéreo, é necessário o Conhecimento de Transporte Eletronico (CT-e), Declaração do Expedidor de Artigos Perigosos (DGD), Notificação ao Comandante (Notoc), lista do conteúdo entre as embalagens secundaria e externa, Certificado de Conformidade original e de aprovação da Anac da embalagem.

Cuidados devem ser tomados como forma de precaução, como o porte de equipamentos individual e coletivo. Treinamentos devem ser realizados de acordo com as normas, para que em caso de acidentes, todas as medidas sejam tomadas de forma correta e efetiva.

Categoria B

Na categoria B estão incluídas amostras suspeitas de conter agentes infecciosos causadores de doenças em humanos. A grande maioria de amostras biológicas de diagnostico laboratorial e doação de sangue são classificadas nessa categoria. Também é aceita a denominação “espécimes para diagnostico”. Mesmo amostras positivas para HIV e HBV são enquadradas na categoria B.

Todo material biológico enquadrado na categoria B deve receber a marcação UN3373 na embalagem externa. Não há etiqueta de risco aplicável assim como na categoria anterior. Já a embalagem deve ser a PI650, com descrição na Instrução de Embalagem 650 (Packing Instruction – PI650). O sistema de embalagens é constituído pela embalagem primaria, que recebe o material biológico, a secundaria que envolve e contém a primeira, e pela externa que deve seguir o padrão PI 650.

As embalagens também devem conter informações de acordo com as normas, sendo elas identificação completa de remetente, destinatário e pessoa responsável, classificação correta (“substância biológica da categoria B”), código numérico da ONU (UN 3373) e em caso de utilização de gelo seco, a etiqueta de risco Classe 9 na embalagem externa. Junto da embalagem é necessária a documentação devida para essa categoria: Ct-e para transporte aéreo e documentos fiscais com identificação do destinatário e responsável e informações do veículo ou modo de transporte.

Risco mínimo

Na categoria de risco mínimo, também nomeado como categoria C, se inserem os materiais biológicos com probabilidade mínima de o material conter materiais patogênicos, que não são considerados infecciosos, desde que possuam julgamento profissional documentado. Sendo assim, não são artigos considerados perigos para fins de regulamentação de transporte. É necessária avaliação clinica do individuo para ser classificado nessa categoria. Como exemplo de risco mínimo, temos: amostra de sangue para monitorar níveis de colesterol, glicose e hormônios, para teste de gravidez, dentre outros.

É importante ressaltar que quando a amostra não tem a possibilidade de ser avaliada por profissional capacitado, ou for transportada para a avaliação de doenças infecciosas, esta deve ser classificada como categoria B.

A embalagem para essa categoria deve ter tripla, com recipientes primário e secundário de estanque e terciário rígida e resistente para o respectivo contexto. Não há limitação de quantidade para essa categoria e não há necessidade de etiquetagem com símbolo de risco biológico. Há somente a necessidade de marcar na embalagem externa a frase “Espécime humano de risco mínimo”, acompanhado com os devidos documentos fiscais, de julgamento profissional e CT-e para o caso de transporte aéreo.

Isento

Materiais biológicos que se enquadram nessa categoria são sabidamente isentos de agentes infecciosos. Também são considerados isentos quando submetidos a processos de neutralização/inativação/esterilização, ou coletados em dispositivos específicos como células, tecidos e órgãos, ou que não representam risco de infecção.

A embalagem deve seguir as regras para materiais biológicos de risco mínimo e não há etiqueta, nem marcação necessária. Há a necessidade do CT-e para transporte aéreo e de documentos específicos dependendo de sua natureza.

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